Tivemos num tempo que, como em nenhum outro, passa por transformações profundas. E são mudanças rápidas e abrangentes. Os movimentos libertários, ocorridos na segunda metade do século passado, alteraram significativamente a composição da família – principalmente com a utilização da pílula anticoncepcional e a lei do divórcio (aprovada no Brasil em 1975). Além disso, alguns aspectos como o avanço irrefreável da tecnologia, os efeitos culturais da globalização, a inserção crescente das mulheres no mercado de trabalho (com a consequente redução do número de filhos), tiveram e têm um papel de primeira grandeza nessa mudança de época, mudança que afeta cada indivíduo.
Muitos de nós fomos educados tendo a família como célula fundamental da sociedade. Gerações e gerações de homens e mulheres cresceram sob a proteção de um lar, de um pai, de uma mãe, muitas vezes aquecidos também pelo afeto de avós e de outros parentes.
Essa experiência ainda é possível? E – principalmente – ainda é necessária?
Para o professor doutor Dmitri Cerboncini Fernandes, do Departamento de Sociologia da USP, a família perdeu muito espaço na sociedade e acabou “terceirizando” o seu papel: as crianças são educadas por babás, ou pela escola em seus vários níveis – quando não pela TV ou pelo computador –, enquanto os pais estão trabalhando, ou quando, em muitos casos, houve uma separação. Na opinião do professor, “hoje as fontes que informam as crianças são muitas. A família passou a ser mais uma célula de formação, ou seja, é uma entre as várias instituições que lidam com a formação da criança”.
